Tasso Jereissati: ‘PSDB tem de fazer oposição não sistemática a Lula’

Senador é um dos mais tradicionais nomes do partido

Senador acredita na ressurreição do PSDB | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O senador Tasso Jereissati (PSDB-PE) disse que os tucanos têm de fazer “uma oposição não sistemática” ao governo Lula. Apoiador da candidatura do petista, Jereissati orientou aliados a “adotarem uma postura independente no Congresso Nacional”, além de não ocupar cargos na nova administração dos petistas.

Jereissati recomendou que o PSDB aprove projetos de interesse de Lula. “Ele propôs um governo de coalizão que conjugue várias tendências e pensamentos”, observou, em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira, 9. “Então, vamos esperar para ver até que ponto vai a nossa oposição. O partido tem de ficar independente.”

Logo depois do resultado do segundo turno, Jereissati conversou com o presidente eleito. Segundo o senador, Lula mostrou-se disposto a fazer um governo “aberto”, com a ajuda de outros partidos, não somente o PT.

Durante a eleição, o PSDB liberou seus filiados para votarem em quem quiser. Contudo, tucanos tradicionais, como ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro Aloysio Nunes, tornaram público seu apoio a Lula.

De acordo com Jereissati, seu apoio ao petista foi motivado pelas “características fascistas” do presidente Jair Bolsonaro (PL), que concorria à reeleição. O cacique, entretanto, culpou o “radicalismo” dos petistas como um fator que contribuiu para o surgimento do atual chefe do Executivo na política.

“Quando o Fernando Henrique assumiu, o PT mais radical veio à tona e cometeu o grande erro, a meu ver, que gerou o Bolsonaro: nos transformar em inimigo número 1 e até nos demonizar”, disse. “E aí dividiu o país, quando o PT fez o ‘nós contra eles’. Esse tipo de posicionamento levou ao surgimento de Bolsonaro, que trouxe à tona no país o que não existia, uma extrema direita organizada.”

Tasso Jereissati é um dos mais tradicionais nomes do PSDB nacional e, neste ano, termina seu mandato no Senado. Ele não concorreu à reeleição.

Neste pleito, a presença dos tucanos nas Casas Legislativas encolheu. Além disso, o PSDB perdeu o domínio do maior colégio eleitoral do Brasil, o Estado de São Paulo. No entanto, o senador avaliou que o “pior momento” do partido já passou, e que agora existe uma expectativa boa para o futuro político da legenda.

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